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01/05/2013

Existe um galego normal e um galego artificial? (Parte I)


Como xa vos fixariades existe um galego estranho e um galego normal. O galego normal é o que falamos na casa, é dicir, o galego de toda a vida, pero tamém existe um galego estranho, que é o galego da escola, o da televisióm, etc. E por que parece estranho? Realmente o é? Ũa das causas é a substitucióm linguística a prol do castelám.
                Vou-vos contar a minha experiéncia persoal, e a razóm de por que afirmo isto. Tenho 19 anos, e levo quase toda a minha vida pensando que existe um galego normal e um galego artificial, polo menos ainda me dei conta a tempo que se nom morreria pensando iso. A minha visióm do galego era así, o galego normal era o que falavamos no dia a dia com castelanismos, e o galego artificial, o da escola, cheo de palavras que só se viam nos livros. Máis tarde, devido ao meu companheiro e a nosa aficióm polas línguas, fixo que me fixara máis no xeito de falar das minhas avoas, e foi quando me decatei que, elas, que estuveram toda a minha vida ao meu lado e sempre falara com elas, usavam esas palavras que pra mim só formavam parte do galego artificial. Grande foi a minha sorpresa ao escoitá-las dicir ninguém mália o primeiro em pensar eu fora "Bueno, aprenderiam-na coa televisióm". Seguim prestando atencióm, e a seguinte palavra que escoitei foi ficar. E así pasou com máis palavrinhas. Eram demasiadas, palavras que usavam pero que tamém intercambiavam cas formas castelãas pra nom se repetirem demasiado. E o mesmo pasa cas estruturas do galego, podemo-las escoitar dicir "pra o limpar" como "pra limpá-lo", mentres que a forma máis usada pola gente nova (ou a única forma usada) é "pra limpiá-lo" devido à sua semelhanza coa forma castelãa "para limpiarlo". Ainda así, como pode ser posivle que todas estas cousinhas pra os meus oídos pasaram completamente despercibidas se as minhas avoas sempre falarom así?


                Tenho duas avoas, vivo na mesma casa coa minha avoa materna, e a avoa paterna é a minha vecinha. Coa minha avoa paterna aprendim a palavra soidades, que é a palavra patrimonial que temos aquí pra o famoso sentimento de nostálgia chamado morrinha. Nom é recomendavle usar "morrinha" onde vivo eu, xa que esta palavra quere dicir que nom te banhas e/ou sucidade. Tendo ese significado, é ũa alegria pra mim descubrí-la palavra "soidades", como comprenderedes. Vendo o maravilhoso control que as minhas avoas (e tamém outras persoas da família como o meu pai) tenhem sobre o galego, ademais de fixar-me no seu xeito de falar, comezou a hora das preguntas. Coa que máis falo é ca minha avoa materna, xa que vivimos na mesma casa, e ademais, parece gustar-lhe moito que lhe pregunte estas cousas. Com ela aprendim, ou descubrim, melhor dito, diferentes palavras da minha zona como o sistema das feiras (segunda-feira, terceira/terza-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo) pra os dias da semana, que os autobuses recibem o nome de ónibus, que as "mejillas" podem-se chamar fazulas, etc. Antes, todo iso seria pra mim galego artificial. Pero que realmente falem así as minhas avoas cámbia totalmente a situacióm, xa que se volve automaticamente galego normal. Pero que eu nom conocera todas estas palavras é devido a duas cousinhas que estám estreitamente ligadas. Transmisióm lingüística familiar influenciada polo castelám devido à forte influéncia do castelám sobre Galícia. Pero aquí nom remata todo porque todas estas palavras que pra mim antes eram galego estranho e artificial resulta que pra outra geracióm de galegos recibe outro nome: galego de velhos. Quando lhe pregunto ao meu pai sobre todas estas palavras, menciona nom usá-las por serem palavras dos velhos. Dicir coitelo e nom "cuchillo", vasoira e nom "escoba", rúvio e nom "rojo", cadeira e nom "silla", ónibus e nom "autobús"... é pra el galego de velhos. Nom é um galego estranho. É galego, galego. Galego natural. Um galego que tantas persoas buscam, está a ser substituído progresivamente polo castelám. 


Parte 2: http://alianza-polo-galego.blogspot.com.es/2013/05/existe-um-galego-normal-e-um-galego_6.html

13/02/2013

Reflexióm sobre a língua

Ũa das aportaciõs máis destacavles da reflexióm sobre a qüestióm feminista é a distincióm entre sexo e género. Na língua habitual, amba-las duas, usam-se como sinónimas. Pero nos estúdios especializados descubriu-se ũa diferéncia fundamental. Mentres que o sexo refire-se ò ámbito biológico em funcióm do aparato reprodutor, o género é máis bem ũa construcióm social. Ser home ou mulher é um concepto que se formou historicamente e como tal conectadas nũa serie de valoraciõs.

Persoa significa personage, é dicir, a máscara que existia no antigo teatro grego. Desde a sua orige, o termo persoa parece remitir pois a unidade que otorga apoio ou cobertura às nosas actuaciõs e comportamentos. Despois, na Idade Moderna, pasou a significar individualidade física e moral e, por tanto, tamém psicológica. Todo ser humano é persoa no sentido de que conforma ũa unidade consciente e inteligente e com bases emocionaes. E, por tanto, a identidade que nos distingue a cada ser humano dos demais e que constitue a orige ou o responsavle dos nosos conocementos e acciõs. A persoa interrelaciona-se com ela mesma e cas demais mediantes a linguage e a língua.

Segundo o psicólogo Jean Piaget, a língua está subordinada ò pensamento. Pero a língua consiste no proceso de dotar sentido à realidade... e iso realiza-se a través dos signos em geral e da linguage em particular. O contexto lingüístico em que discorre um pensamento sobre o real ou nom, procesa-se no conocemento, que é um factor determinante que influe de modo decisivo neste.

As línguas formam parte da humanidade. A língua forma parte da persoa. E a escrita forma parte do ser humano.

11/02/2013

As razas galegas de cãs


Actualmente, Galícia tem 4 razas de cãs em perigo de estincióm:
• Cam de Palheiro
• Cam Guicho
• Perdigueiro Galego
• Podengo Galego

Cam da esquina superior esquerda: Guicho
Cam da esquina superior dereita: Cam de Palheiro
Cam da esquina inferior esquerda: Podengo Galego
Cam da esquina inferior dereita: Perdigueiro Galego


O Cam de Palheiro guarda ũa forte similitude co Pastor Alemám, nom por ser um cruce, senóm, por compartirem as mesmas origes. Podemos ver como os cãs cos que s'obtiverom o Pastor Alemám guardam ũa forte aparéncia co noso Cam de Palheiro. Ademais, o nome de Palheiro vém pola sua aficióm de durmir nos palheiros, pero quizais esta raza em Galícia sexa máis conocida por outros nomes como, por exemplo, o de "Raza Loba". E finalmente, é tamém um cam moi inteligente que está a destacar em certas lavores como a de cam de axuda.

Página oficial do Cam de Palheiro: http://www.clubcandepalleiro.com/?lang=es
Ficha do Palheiro (em castelám porque a página vai enfocada à hispanidade): http://www.mundoanimalia.com/perro/Can_de_Palleiro
Foro do Cam de Palheiro: http://candepalleiro.foroactivo.com/



O Cam Guicho é um dos 3 cãs de caza que temos em total. Comparte orige cos Corgi e é ũa raza moi lista, inteligente, viva, activa... sendo em definitivas contas um cam perfecto para a caza. Pero a sua maior característica, o que chama a atencióm dela fisicamente, som esas orelhas em punta e guichas que sempre tem. Daí lhe vém o nome, claro está. É, tamém, um cam pequeneirinho, perfecto coma companheiro.



Página oficial do Guicho: http://club-can-guicho.webnode.es/
Ficha do Guicho (em castelám): http://www.mundoanimalia.com/perro/Can_Guicho_ou_Quisquelo



Das outras duas razas de caza, hai menos informacióm porque nom contam com página oficial. Pero podemos dar ainda así com algũa interesante informacióm.
O Perdigueiro Galego é um cam ideal de mostra e caza de pluma, e o Podengo Galego para a caza de pelo.

Perdigueiro Galego: (em galego, página da Xunta) http://www.medioruralemar.xunta.es/areas/gandaria/razas_autoctonas/canina/perdigueiro_galego/
(em castelám) http://www.club-caza.com/perros/estandares/perdgalego.asp
Podengo Galego: (em galego, página da Xunta)  http://www.medioruralemar.xunta.es/areas/gandaria/razas_autoctonas/canina/podengo_galego/?repro=
(em castelám) http://www.club-caza.com/perros/estandares/podgalego.asp


As razas autóctonas de cãs estám admitidas por diferentes entidades moi diversas como a Xunta, SERGA, UNITEGA, etc. e os seus estándars publicarom-se no BOE, no DOGA...
Neste último vídeo estám recolhidas as quatro razas de cãs: http://www.youtube.com/watch?v=IRjUXKjvwoo
Para poder ter um cam de raza galega, hai que contactar cos clubs.

10/02/2013

A guerra dos mundos (pequeno fragmento de H. G. Wells)

Na manhã seguinte, moi cedo, o coitado de Ogilvy, que vira a estrela fugaz e estava convencido de que o meteorito devia d'estar em campo aberto, entre Horsell, Ottershaw e Woking, ergueu-se ca idea d'atopá-lo.
     O impato do proxetil deixara um buraco enorme e a area e a terra forom espargidas polo airo em toda-las direciõs formando montõs que eram visivles desde ũa milha e média de distáncia. Direcióm leste, a herva incendiara-se e o fume elevava-se para o ceo.
      O obxeto destrozara-se na sua caída. A parte que se mirava tinha um aspeto dum enorme cilindro cheo de lama e as linhas esteriores estavam suavizadas por ũas incrustaciõs como escamas de cor moi clarinha. O diámetro era dũs trinta metros. Ogilvy achegou-se ò obxeto, sorprendendo-se polo seu tamanho e forma. Pero estava ainda tam quente devido ò seu paso a través da atmosfera, que era imposivle aprosimar-se. De súpeto, notou com sorpresa que parte das cinzas solidificadas que cobriam o meteorito estavam-se desprendendo do estremo circular. Despois, caiu um anaco moi grande, producindo um ruído que paralizou o seu corazóm co susto.
     Entóm, notou que o cilindro s'abria e comprendeu a verdade. O cilindro era artificial, estava oco e o seu estremo abria-se! Algo que estava dentro do obxeto facia girá-la tapa.
     – Minha naicinha querida! – esclamou Ogilvy –. Alí dentro hai homes. E estarám médio queimados. Querem fugir daí.
     A idea das criaturas alí confinadas resultou-lhe tam espantosa que esqueceu a calor que ia e adiantou-se ò resto dos alí presentes para axudar òs que se esforzavam por desenroscá-la tapa. Pero a calor que desprendia o cilindro fixo que nom s'acercara. Eu, ò achegar-me máis, escoitei a voz de Stent:
     – Atras! Atrás!

Ao fim e ao cabo, todos falamo-lo latim

Eram as 12.30. A praia estaba abarrotada de banhistas de diferentes idades, sexos e nacionalidades. De repente, o berro dũa mulher fai que se levantem as miradas das persoas: o filho dela desaparecera. Rapidamente, vários dos presentes lanzam-se sobre a senhora que nom para de gritar: "¡Mi niño se ha perdido!". Os portugueses som os primeiros em ir onda a senhora pra preguntar: "O que acontece?"; inmediatamente ũs italianos preguntam: "Che cosa accade?". A mulher repite ũa e outra vez que o seu neno se perdu. Os rapaces franceses entenderom-no todo sem preguntar. A ũa distancia prudente, ũs ingleses nom param de dirigir-se a várias parelhas espanholas coa frase: "What happens?". Num princípio, ninguém lhes responde. Seguramente nom entendem, pero um mozo alemám logra dicir "Children lost" num tosco inglés. Os ingleses quedam inmóbiles ò ver que som incapaces de conectar coa morea de linguas entramadas que vam oindo e que sorprendentemente todos entendem. Portugueses, franceses, italianos, espanholes -entre eles, vários catalãs e valencianos- continuam na procura da criatura mentres falam entre si dos posivles lugares onde poida estar o rapaz perdido. Um "qui" em italiano, que todos, menos os ingleses, entendem, remata a búsqueda. O neno estava sentado xunto a ũs cubos noutra sombrinha que nom era a sua.
Esta pequena história nom remata aquí. Nos dias sucesivos, todo-los participantes se saúdam, falam e incluso quedam no bar da praia. Cada um fala na sua lingua, pero todos entendem-se. Alí hai persoas de toda-las idades e sexos, com educaciõs diferentes pero cũas linguas que formam parte da mesma família, é dicir, as linguas románicas.

Alícia no país das maravilhas (pequeno fragmento de Lewis Carroll)

A Eiruga e Alícia estiverom-se a mirar em siléncio ata que, de súpeto, a Eiruga retirou a pipa da boca e achegou-se à rapaza com voz médio durmida:
– E quem es ti? – dixo a Eiruga
Alícia respondeu intimidada:
– Nom vo-lo tenho moi claro, senhora, neste momento nom vo-lo sei. Sei quem era eu ò erguer-me esta manhã, pero penso que cambiei desde entóm.
– Que queres dicire? – preguntou a Eiruga com curiosidade e severidade.
– Temo que nom-no poderei esplicar com mais claridade – dixo Alícia com amavle voz –, porque eu tampouco vo-lo entendo, iso de cambiar tantas veces de estatura num só dia é bastante desconcertante.
– Nom o é – replicou a Eiruga.
– Bem, quizá vós o entendades ò pasar por crisálida para volver-vos borvoreta. A nom ser que provavlemente os vosos sentimentos sexam distintos dos meus – dixo Alícia intentando convencé-la Eiruga – pero, a mim, estranharia-me moitísimo.
– A ti! – respondeu a Eiruga com desprécio – E quem es ti?
Com isto, volverom ò comezo da conversacióm, e Alícia comezava-se a sentir molesta ca Eiruga polas suas respostas secas e cortantes, por tanto, decidiu-lhe dicir:
– Parece-me a mim que sodes vós a que deveria dicir primeiro quem sodes.
– E por que? – preguntou a Eiruga.
Ante outra pregunta difícil, Alícia decidiu marchar devido ò estado de ánimo antipático da Eiruga.
– Vém aquí! Tenho-che algo importante que dicire! – esclamou a Eiruga.
Alícia detivo-se para escoitá-las suas palavras.
– Vigia ese mal génio! – dixo a Eiruga.
– Iso é todo? – preguntou Alícia, tragando a rávia que tinha o melhor que puido.
– Nom – respondeu.
Alícia decidiu aguardar porque tinha a esperanza de que lhe dixese algo importante, e despois dũs minutos sem se dicirem nada, a Eiruga volveu sacá-la pipa da boca e dixo:
– Así que ti cres que cambiache, nom si?
– A verdade é que si, senhora. Nom dam pasado dez minutos sem que eu cámbie de tamanho.
– Qual é o tamanho que che gustaria ter?
– A ver, nom vos som complicada em asunto de tamanhos, pero nom quero andar cambiando seguido, xa sabedes...
– Eu nom che sei nada – dixo a Eiruga.
– Pero nom estou acostumada a medir sete centímetros – replicou Alícia
– Sete centímetros é ũa estatura perfecta! – ergueu-se para mostrar que media o mesmo – Xa t'acostumarás.
Alícia nom dixo nada.
– Xa levas um tempinho medindo o mesmo ca mim – a Eiruga boquexou e comezou-se a deslizar pola herva mentres dicia:
– Um lado vai-che facer medrare, e o outro o contrário.
– Um lado de que? – preguntou Alícia para si mesma.
– Do cogomelo – respondeu.
A Eiruga desapareceu e Alícia quedou estranhada por recibir resposta a ũa pregunta que nom fixera em voz alta. Colheu um anaco de cada cogomelo cas duas mãs e dixo:
– E agora... qual será qual?